Olho para a minha produção artística e vejo uma metonímia de mim, linhas de horizonte em convergência com linhas da vida, uma dimensão solar da conexão vital em comunicação com outros seres.

Com o olhar errante vou devorando o mundo, ora o sutil, o transcendental e as imanências, ora o concreto, o degradado e o precário capturam meu olhar. Num de repente falo do tempo, mas também do cotidiano ordinário, das minhas experiências diárias como mãe, mulher, como cidadã, que transita pelas ruas em grandes deslocamentos e vê na cidade a extensão da casa. Trago (do verbo tragar) imagens indeléveis que servirão de gatilho para as minhas criações.

Interessa-me não o corpo em si, mas o que há entre-corpos: relações. Relações entre corpo e paisagem, corpo e objeto, corpo e vestimenta, corpo e outros corpos.

Linhas, vida, seres, corpo, relações, materiais que teço numa trama disforme e experimental, onde a urdidura se faz performance em rasura e rastro. Busco com minha produção artística instaurar campos de transformação. Num ativismo poético e delicado.