Diário de quarentena

série, 2020

BORDAR             CABELO            DESTERRO             ENREDAR 

 

Durante essa quarentena há momentos que tenho tido a vontade de sair correndo. Quero correr das notícias, dos filhos, do marido, do vírus, dos problemas, de mim mesma! Parece que estamos vivendo um filme de terror. Mas há momentos também de tranquilidade, busco a terra como refúgio, nela encontro terreno fértil para revoluções internas, semeio o que há por vir. 

ENREDADA e DESTERRO tem sido a maneira que estou vivenciando a quarentena e suas decorrências: distanciamento social, cancelamento de contratos de trabalho, desafio de ser mãe, tutora dos filhos, cozinheira, faxineira, artista, esposa e vizinha. Sentimentos como angústia, incerteza, medo e solidão trouxeram a princípio um corpo paralisado, mas, que aos poucos, buscou no bordado de si a possibilidade para um novo agir.

Há alguns anos tenho a linha de costura como objeto poético, simbólico e conceitual nos meus trabalhos. A dificuldade em comprar linha para seguir desenvolvendo minhas pesquisas, levou-me ao desdobramento da linha de costura para os fios de cabelo. ENREDADA e DESTERRO é a síntese das minhas últimas pesquisas com a linha e seus vários sentidos. Linha do horizonte, de pensamento, de tempo, de força, de devir. O caminho em rastro que vira linha, as mãos, os pés, o corpo de linhas.

 

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